Passei boa parte da minha vida profissional tentando fazer organizações funcionarem melhor.

Esse trabalho quase sempre aconteceu em operações — onde aquilo que uma organização pretende fazer precisa se transformar naquilo que ela realmente faz.

Comecei trabalhando com qualidade e melhoria contínua na indústria. Depois vieram processos, gestão, tecnologia, transformação e dez anos construindo e operando uma empresa. Os contextos e os problemas mudaram. Mas uma coisa permaneceu: eu estava quase sempre tentando entender por que alguma coisa não funcionava como deveria — e o que precisava mudar para que funcionasse.

Fui ensinado que a resposta estava principalmente nas ferramentas.

Redesenhei processos, criei indicadores e sistemas, defini responsabilidades e incentivos, tudo em um PDCA eterno. E tudo isso importa. Vi mudanças importantes acontecerem por causa desse trabalho.

Mas também comecei a perceber seus limites.

Nem todo problema que aparece na operação nasce na operação.

Uma empresa pode ter processos eficientes e uma estratégia que aponta para outra direção. Pode construir uma cultura forte em torno de comportamentos que já não servem àquilo que precisa entregar. Pode ter pessoas excelentes, bons sistemas e indicadores corretos e, ainda assim, produzir atrito, desperdício e contradição.

Uma organização pode melhorar continuamente suas partes e ainda assim se afastar daquilo que pretende ser.

Foi tentando entender essa diferença que comecei a pensar em coerência organizacional.

A ideia ainda está em construção, mas parte de uma pergunta relativamente simples: o que acontece entre aquilo que uma organização pretende ser, a forma como se organiza para realizar essa intenção e aquilo que efetivamente consegue entregar?

O The Coherence Project nasceu para investigar essa pergunta.

Os ensaios são onde tento organizar conceitos e desenvolver o argumento. O diário registra observações, dúvidas, decisões e mudanças de entendimento enquanto acontecem. E alguns projetos se tornam laboratórios: situações reais em que essas ideias encontram mercado, pessoas, dinheiro, restrições e consequências.

Essa última parte é especialmente importante para mim.

Não quero construir uma teoria sobre organizações apenas observando-as de fora. Quero entender o que acontece quando uma ideia precisa sobreviver ao trabalho cotidiano — quando encontra prazo, cliente, erro, improviso, conflito e realidade.

O projeto é, portanto, uma continuação do trabalho que venho fazendo há anos — mas também uma mudança na maneira de fazê-lo.

Continuo tentando entender como organizações funcionam.

A diferença é que agora a investigação está aberta.

Um pouco sobre mim

Paulo Eduardo Pereira

Sou profissional de operações, transformação e produtos. Comecei minha carreira na indústria, trabalhando com qualidade e melhoria contínua, e desde então passei por diferentes contextos — do chão de fábrica e gestão de processos à tecnologia, consultoria e empreendedorismo.

Durante dez anos, construí e operei a Não de Queijo, uma empresa de alimentos que nasceu na cozinha e me levou a trabalhar com produto, produção, varejo, tecnologia e inclusão alimentar. Também participei de projetos de transformação organizacional, desenvolvimento de sistemas e novos produtos.

Gosto de entender como as coisas funcionam, por que deixam de funcionar e o que acontece quando tentamos mudá-las. Talvez seja esse o fio que conecta os diferentes trabalhos que fiz — e também o que me trouxe até aqui.

Contato

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